ciclo três

DIEDRICK
BRACKENS

jun—ago, 2026

sobre

Diedrick Brackens tem na tapeçaria o principal campo de sua prática artística, mobilizando um amplo repertório de tradições têxteis que inclui técnicas de tecelagem da África Ocidental, procedimentos europeus e as tradições de quilting do sul dos Estados Unidos. Em vez de tratar a tapeçaria como um formato fixo e autônomo, o artista frequentemente constrói suas obras a partir de múltiplas seções tecidas separadamente e posteriormente unidas por costura, evocando a estrutura de muitos tecidos africanos produzidos pela junção de tiras. Esse procedimento reconhece linhagens históricas específicas ao mesmo tempo que tensiona a integridade retangular convencional associada à tapeçaria tradicional.

Suas composições se desenvolvem por meio de uma dinâmica relação entre campos cromáticos e formas sintéticas que oscilam entre abstração e figuração. Corpos humanos e animais, criaturas fabulosas e símbolos diversos emergem dessas superfícies tecidas, dando origem a narrativas que frequentemente assumem um caráter onírico, alegórico ou parcialmente velado. A tecelagem torna-se, assim, mais do que um suporte: converte-se em uma estrutura narrativa capaz de entrelaçar memória pessoal, história coletiva e imaginação cultural.

Brackens recorre com frequência à literatura, à poesia, ao folclore e às tradições orais africanas e afro-americanas, muitas vezes centrando momentos de intimidade, vulnerabilidade e ternura entre homens negros. Seu processo inicia-se com o tingimento manual do algodão, material escolhido em reconhecimento à sua profunda vinculação às histórias de escravidão, trabalho e migração. Ao lado de corantes comerciais, utiliza pigmentos não convencionais, como chá, vinho e alvejante, produzindo variações tonais complexas que reforçam as múltiplas temporalidades presentes em sua obra.

O resultado são tapeçarias que refletem sobre identidade negra, memória cultural e herança familiar. Referências que vão da iconografia religiosa ao folclore e às criaturas míticas coexistem em composições que equilibram cuidadosamente figuração e abstração, assemblagem e colagem. Por meio dessas estruturas intrincadas, Brackens constrói narrativas visuais capazes de conectar lacunas históricas e experiências contemporâneas, filtradas por uma sensibilidade poética singular.

biografia

Diedrick Brackens (n. 1989, Mexia, Texas, EUA) vive e trabalha em Los Angeles, Califórnia. Recebeu seu BFA pela University of North Texas, em Denton, em 2011, e seu MFA pela California College of the Arts, em São Francisco, em 2014. Entre suas exposições individuais destacam-se Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco (2026); The Holburne Museum, Bath, e Savannah College of Art and Design, Savannah (2025); Jack Shainman Gallery, Nova York (2024, 2021, 2020); Kestner Gesellschaft, Hanover (2023); e Museum of Fine Arts, Boston (2022–23). Suas obras integram importantes coleções públicas, entre elas o Blanton Museum of Art, Austin; Brooklyn Museum, Nova York; Dallas Museum of Art, Dallas; Hammer Museum, Los Angeles; Institute of Contemporary Art Boston (ICA Boston), Boston; Institute of Contemporary Art Miami (ICA Miami), Miami; Los Angeles County Museum of Art (LACMA), Los Angeles; Museum of Contemporary Art Los Angeles (MOCA), Los Angeles; The Metropolitan Museum of Art, Nova York; National Gallery of Art, Washington, D.C.; San Francisco Museum of Modern Art (SFMOMA), São Francisco; The Studio Museum in Harlem, Nova York; Walker Art Center, Minneapolis; e Whitney Museum of American Art, Nova York, entre outras.

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